O que há de estranho em mim - Gayle Forman

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
Brit é uma adolescente que vive sob circunstâncias adversas. Sua mãe foi diagnosticada com esquizofrenia e sumiu no mundo. Ela ficou com o pai a qual ela era apaixonada e que era o pai perfeito até que ele conheceu a Monstra e com quem acabou se casando. Enquanto eram apenas os três ainda era fácil lidar, porém depois que ela engravidou e nasceu Billy, sua vida tem se transformado em um verdadeiro tormento. Tudo é desculpa para que repreensões e críticas. Sua válvula de escape é sua amada banda de punk rock, onde ela se entrega por horas a fio, evitando assim qualquer convivência com sua família. Seu pai então, preocupado de uma forma equivocada, acaba por interna-la em uma instituição para adolescentes problemáticos. Brit não acredita mesmo que esta tenha sido uma decisão particular do pai. Para ela, tudo o que ele faz é por influência da madrasta infernal. Ludibriada, ela é literalmente largada na instituição onde ela percebe que de todas as coisas ruins que já passou até ali, tudo pode piorar muito. Em uma reação natural, a negação por tudo o que lhe tem acontecido, o reconhecimento de não merecer tal tratamento, lhe transborda o peito, mas sua negação é arma utilizada pelos administradores para que lhe imputem punições. Orientada pelas outras internas, ela aos poucos começa a compreender que ali, vale a lei do mais esperto, e que muitas garotas irão fazer de tudo para vê-la sempre no chão. Os métodos de disciplina impostas pela instituição são extremamente questionáveis e nada ortodoxos. Para começar, tem o estranho tratamento de achacar um colega em um tratamento em grupo, levando a interna às lágrimas por tal nível de humilhação. Brit não aceita tão conceito de disciplina, e junto com outras internas dão início a uma investigação que as levarão a fatos e informações de verdadeiro terror.
Isso era a coisa mais absurda do mundo. Que tipo de instituição educacional ia querer que a pessoa não tivesse amigos nem se divertisse pelo menos um pouco? Que tipo de lugar ia querer que a pessoa ficasse sozinha e triste, sentindo-se desprezada, só em nome da terapia? (Pág. 72)
Em mais um drama psicológico da autora Gayle Forman, sentimos o baque dos conflitos de um adolescente que, sem o amparo da família, se perde nas suas dores. Brit nasceu em um lar amoroso, mas foi vítima da doença de sua mãe e da instabilidade do pai. Eu tive muita empatia por Brit, no seu desamparo e vulnerabilidade. Gayle, mais uma vez foi perfeita em prender nossa atenção com um enredo tão forte, que nos atinge e mexe com o mais frio dos sentimentos.

Forman, Gayle. O que há de estranho em mim. São Paulo: Arqueiro, 2016.

1 Comentário:

thaila oliveira 26 de fevereiro de 2016 17:01  

oi flor, Gayle pra mim arrasou mais uma vez, explorando uma trama densa com muitos pontos a serem refletidos
http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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