Dez coisas que aprendi sobre o amor - Sarah Butler

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Por quase 30 anos, quando a brisa de Londres torna-se mais quente, Daniel caminha pelas margens do Tâmisa e senta-se em um banco. Entre as mãos, tem uma folha de papel e um envelope em que escreve apenas um nome, sempre o mesmo. Ele lista também algumas coisas: os desejos e o que gostaria de falar para sua filha, que ele nunca conheceu. Alice tem 30 anos e sente-se mais feliz longe de casa, sob um céu estrelado, rodeada pela imensidão do horizonte, em vez de segura entre quatro paredes. Londres está cheia de memórias de sua mãe que se fora muito cedo, deixando-a com uma família que ela não parece fazer parte. Agora, Alice está de volta porque seu pai está morrendo. Ela só pode dar-lhe um último adeus. Alice e Daniel parecem não ter nada em comum, exceto o amor pelas estrelas, cores e mirtilos. Mas, acima de tudo, o hábito de fazer listas de dez coisas que os tornam tristes ou felizes. O amor está em todas as partes desta história. Suas consequências também. Sejam boas ou más. Até que ponto uma mentira pode ser melhor do que a verdade?
Alice e Daniel... Duas pessoas que dividem a mesma sensação de deslocamento no mundo. Dois andarilhos que busca principalmente encontrar a si mesmo.
Alice é uma mulher que viveu toda a sua vida à deriva. Sua mãe morreu quando tinha quatro anos de idade enquanto estava a caminho para busca-la na aula de balé. Foi criada pelo pai e por suas duas irmãs mais velhas: Tilly e Cee. Enquanto a primeira se esforçava mais para que Alice se sentisse bem vinda em suas vidas, Cee era aquela que gostava de desfraldar a bandeira da razão e sensatez, é por isso que Kal, seu ex namorado, se referia a elas como “Termos e condições”.  Alice gostava mesmo de percorrer o mundo, mesmo sem saber o que buscava. Depois que seu relacionamento com Kal foi para o espaço, não restou nada além de cair no mundo, já que junto à família, ela nunca se sentiu em casa. Sempre carregou o fardo da culpa pela morte de sua mãe, mesmo sem compreender o que realmente aconteceu. Agora ela estava de volta... seu pai estava muito doente e com poucos dias de vida, então todas estavam reunidas para lhe dar este último conforto. E mesmo ali, em seu leito de morte, Alice se sentia excluída da família. Ela queria mesmo era que tudo aquilo acabasse para que ela pudesse partir para o mais longe possível. Chegar ao guichê do aeroporto e comprar a primeira passagem disponível para o destino mais distante.
Daniel era um homem que já teve suas lutas e nenhuma vitória. Jovem pintor talentoso, na sua mocidade se apaixonou e sofreu uma desilusão irreversível. Ao longo dos anos, esteve sempre envolvido em sua busca, remoendo a possibilidade de um encontro. Vivia de pequenos trabalhos, dormindo em abrigos, com a saúde cada vez mais comprometida. Duas almas perdidas em constantes buscas.
Não me lembro de quantas vezes eu fugi quando criança. Os retornos nunca eram divertidos: estranhos insistindo para que eu lhes desse meu endereço; policiais me olhando desconfiados enquanto falavam ao telefone – magra, baixa, ruiva, olhos verdes, sim, é ela. (Pág.64)
Imagina a pessoa que recebe um livro de surpresa, se encanta pela capa, se apaixona pelo título, cria um milhão de expectativas e no fim...
O livro conta a história de Daniel e Alice, sob o ponto de vista de cada um alternadamente, nos deixando a mercê das angústias de cada um. Eu concordo que a história é profunda, porém nenhum dos personagens me cativou. Talvez porque eles sejam extremamente realistas com seus dramas, eu não consegui que nenhum deles me tocasse. Achei confuso o revezamento entre as narrativas, pois muitas vezes me perdi por não identificar quem falava naquele momento. Somente após a metade do livro, quando os fatos ficaram mais claros, é que a leitura se desenrolou, mesmo assim, não consegui mesmo simpatizar. Achei que algumas passagens ficaram abertas e faltaram explicações. Acredito mesmo que muita gente irá se encantar com a história e gostaria que me contassem suas impressões.

Butler, Sarah. Dez coisas que aprendi sobre o amor. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2015.


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