Neve na primavera - Sarah Jio

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Neve na Primavera - Seattle, 1933. Vera Ray dá um beijo no pequeno Daniel e, mesmo contrariada, sai para trabalhar. Ela odeia o turno da noite, mas o emprego de camareira no hotel garante o sustento de seu filho. Na manhã seguinte, o dia 2 de maio, uma nevasca desaba sobre a cidade. Vera se apressa para chegar em casa antes de Daniel acordar, mas encontra vazia a cama do menino. O ursinho de pelúcia está jogado na rua, esquecido sobre a neve. Na Seattle do nosso tempo, a repórter Claire Aldridge é despertada por uma tempestade de neve fora de época. O dia é 2 de maio. Designada para escrever sobre esse fenômeno, que acontece pela segunda vez em setenta anos, Claire se interessa pelo caso do desaparecimento de Daniel Ray, que permanece sem solução, e promete a si mesma chegar à verdade. Ela descobrirá, também, que está mais próxima de Vera do que imaginava.
Vera vivia uma vida de extrema penúria e necessidade durante a crise de 1933. Com um filhinho de três anos para criar e com uma rotina sacrificante, ela se desdobrava em um trabalho noturno e Daniel. O dinheiro sempre era insuficiente. Quando recebia o salário, ela praticamente tinha que rifar suas necessidades, ou ela compra comida ou pagava o aluguel, ou comprava o mínimo de agasalhos e calçados para seu filho. Para ela, ela usava o que tinha, sem luxos e sem vaidade. Trabalhar à noite não era fácil, mas era o único emprego que conseguiu, e ela sempre deixava Daniel com Caroline, sua melhor amiga, mas nesta noite era diferente. Ela seria obrigada a deixar Daniel sozinho, já que na semana anterior, quando ela levou Daniel para o trabalho, ela foi ameaçada pela sua chefa intransigente de demissão. Ela não tinha alternativa, já que dependia deste trabalho para sua subsistência e de Daniel, já que ela não contava mais com o pai de Daniel. E naquela três de maio de 1933, quando uma grande tempestade de neve assolou Seattle no fim da estação, marcou a vida de Vera. Quando ela chega em casa, retornando de uma sofrida noite de trabalho no Olympic Hotel, ansiosa por reencontrar Daniel que ficou sozinho durante à noite, ela é surpreendida pela sua ausência. Desesperada, Vera percebe então que Daniel, de alguma forma foi subtraído de seu lar, e descobre também que sua condição financeira a coloca em uma categoria em que as autoridades não se interessam em solucionar. Vera se descobre sozinha em uma busca desesperada.
Oitenta anos se passam. Claire é uma jornalista que está se recuperando de sua própria tragédia. Todos evitam tocar no assunto na sua presença, mas ela percebe que todos se preocupam, mas é uma preocupação que a incomoda, deixando-a com uma enorme sensação de incapacidade e fragilidade. Seu casamento não está em um bom momento. Ethan está cada dia mais distante, e profissionalmente ela não está em um momento muito inspirado. Mas quando Frank, seu editor chefe a incumbe de escrever sobre a tempestade de neve que caiu naqueles dias, comparando com a tempestade de oitenta anos atrás, ela se sente frustrada. Porém, quando ela começa sua pesquisa e descobre que, na noite da tempestade anterior, desapareceu um menininho de três anos, ela é despertada pela solidariedade com aquela mãe que sofreu a perda de um filho. Claire é despertada por esta história, que irá se revelar muito mais próximo de Claire do que ela jamais imaginou.
Vera e Claire, duas mulheres separadas por oito décadas, mas unidas pelo acaso do destino.
Então, olhei outra vez para a foto do jovem casal e imaginei o que havia acontecido na noite da maratona de dança. A foto fora tirada antes do nascimento de Daniel. Será que a Vera era feliz naquela época? E quem era esse homem, esse tal de Charles? Como essa foto foi deixada aqui? (Pág.117)

Este é o segundo livro da Sarah Jio que leio, e assim como As violetas de Março, esta história é maravilhosa. Os dois livros seguem o mesmo estilo de duas histórias: uma do passado e outra do presente, unidas por muita emoção. Claire é uma jornalista que está tentando superar uma grande dor e ainda enfrenta o distanciamento do marido que tanto ama. Ela tem passado por momentos apáticos e desmotivados que tomam outro contorno quando começa a pesquisar sobre uma tempestade de fim de estação ocorrida há oitenta anos. Claire é despertada pela história de Daniel, um garoto que foi deixado dormindo sozinho em casa por sua mãe Vera, enquanto ela trabalhava, e que desaparece misteriosamente. Claire mergulha fundo nas investigações, descobrindo cada vez mais as emoções de duas vidas e uma história de amor. uma história emocionante, que recomendo muito. 

Jio, Sarah. Neve na primavera. Ribeirão Preto,SP: Novo Conceito Editora, 2015.

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