Mar da tranquilidade - Katja Millay

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Mar da Tranquilidade - Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer. Eleito um dos melhores livros de 2013 pelo School Library Journal, Mar da Tranquilidade é uma história rica e intensa, construída de forma magistral. Seus personagens parecem saltar do papel e, assim como na vida, ninguém é o que aparenta à primeira vista. Um livro bonito e poético sobre companheirismo, amizade e o milagre das segundas chances.
O sonho de Nastya aos quinze anos era ser uma grande pianista, agora aos dezoito anos, é encontrar com o homem que a matou três anos atrás. Sua vida mudou drasticamente de rumo, em uma ensolarada tarde e ela nunca mais poderá retomar seus sonhos de antes. Agora ela se mudou para uma nova cidade para morar com sua tia e deixar o passado enterrado. Ela deseja recomeçar longe de tudo e de todos que insistem em lembrá-la da garota pianista de antigamente. Ela só quer esquecer e não quer ninguém a lembrando. Ela está retomando sua vida agora, após um longo período de internações, cirurgias, terapias e por mais que seus pais tenham se tornado super protetores, tudo o que ela não quer é alguém de cima perguntando o tempo todo sobre como se sente. Ela pretende concluir o ensino médio e mais nada. Ela não deseja fazer amigos e para isto se veste da forma mais agressiva possível, para causar repulsa nas pessoas e desta forma afastar qualquer um que pense e sequer se aproximar. Mesmo sabendo que sua condição de não falar, seja um atrativo suficiente para despertar todos os curiosos de plantão. Na aula de marcenaria ela conhece Josh, um garoto que, assim como ela não se interessa pelos grupinhos de alunos com vaidades infladas. Ele perdeu a mãe e a irmã quando tinha oito anos de idade em um trágico acidente. Em virtude desta perda, ele e o pai foram recompensados financeiramente de forma a ficarem ricos, mas incapazes de serem felizes novamente. Seu pai acabou por definhar até a morte, e hoje Josh é praticamente só no mundo, exceto pelo seu melhor amigo e sua família. Josh fazia questão de se manter afastado de todos e não fazia questão das amizades. Sua terapia e grande paixão era fazer móveis em sua marcenaria. Dentro das manias que Nastya passou a cultivar após a tragédia estava correr. Ela corria exaustivamente, até não lhe restar ar nos pulmões, até que seu estômago se contorcesse de cansaço, e sempre muito tarde da noite. Em uma destas corridas, ela acaba indo parar na frente da casa de Josh que a reconhece e se oferece em levá-la para casa. A partir deste dia então, ela sempre aparecia na oficina de Josh e ficava por horas olhando ele trabalhar, e nesta rotina acabou-se criando uma cumplicidade muda entre eles. Josh se surpreendia a cada dia mais com as manias de Nastya. Um dia ela chegava abarrotada de potes de sorvete para abastecer a geladeira, em outro, passava o dia na cozinha assando cookies, como se o mundo estivesse à beira do fim. Josh e Nastya se sentiam confortáveis com a situação, porque a presença um do outro lhes transmitia um companheirismo sem cobranças e questionamentos que ambos detestavam e por isso lhes era agradável, mesmo que este conforto estivesse se estendendo para algo muito mais importante, que poderá uni-los ou afastá-los em definitivo.
As pessoas normais tinham amigos, eu tinha a música. Não estava perdendo nada.
Hoje em dia sinto saudade de tudo. Sou assombrada pela música – que posso ouvir, mas não tocar. Há melodias que me atormentam nota a nota, zombando de mim pelo simples fato de existirem.
Há muito tempo não pegava uma leitura que me despertassem os sentimentos que este livro me despertou. Saber que um sonho foi destruído dói demais, e para uma garota talentosa como Nastya é simplesmente insuportável. É ver a doçura inflamada pela amargura, pelo ódio que cega e que ao mesmo tempo a impulsiona. A dor que ela carrega é uma dor pra vida inteira, mas somente um novo amor para fazê-la esquecer sua perda e se permitir ser feliz. Uma linda história de dor e superação, que me emocionou e recomendo. Se você leu, me conte o que achou, se não leu, vale a pena ler.

Millay, Katja. Mar da tranquilidade. São Paulo, Arqueiro: 2014.



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