Vango: entre o céu e a terra - Thimothée de Fombelle

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vango - Entre o Céu e a Terra - Salvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango, o jovem herói do novo romance do escritor francês 'Timothée de Fombelle'. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. Deparamo-nos com Vango na solenidade em que ele e outros seminaristas seriam ordenados padres na suntuosa catedral de Notre-Dame, em Paris. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Essa cena é apenas um exemplo do clima de perseguição e aventura de que é feita toda a narrativa, quando acompanharemos nosso protagonista em situações e lugares improváveis - como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. O fracasso em não ter sido ordenado padre deixa nosso herói arrasado, mas a jovem Ethel fica bem feliz. É ela quem vai ajudar Vango a provar sua inocência e descobrir sua identidade. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX. Outras personalidades incorporadas à história são Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.
Vango não conhece o seu passado. A única coisa que ele sabe é que um dia foi socorrido naufragado em uma ilha da Sicília junto à sua babá poliglota e que todos deram o nome de Mademoiselle. Aos cinco anos compreendia cinco línguas, mas se recusava a falar com quem quer que fosse. Sua vida sempre foi uma rica aventura, mas ninguém conhecia sua origem. Crescendo livre em uma ilha, ele não temia escalar nenhum paredão, mas temia o mar e aos dez anos de idade ele iria vencer também este medo. Seus maiores amigos eram as andorinhas, elas o seguiam em todos os seus passos, desde quando ele ajudou uma andorinha ferida aos seus sete anos de vida. Quando ele resolveu ajudar um ilhéu, foi sua primeira oportunidade de sair de sua ilha, apesar de não ter ido longe. Na ilha vizinha ele descobriu um mosteiro invisível, um refúgio para trinta monges em situação de perseguição e liderado pelo Padre Zéfiro. Com Padre Zéfiro ele se encantou pela vida monástica e desejou ter para si aquela vida, mas o padre exigiu que ele primeiro conhecesse o mundo e por isso ele partiu aos quatorze anos, para descobrir o que ainda tinha para ser descoberto. Aos vinte anos Vango se encontrava em uma cerimônia para ordenação de jovens padres na Catedral de Notre-Dame, quando a cerimônia é interrompida bruscamente com uma equipe de policiais que ali se encontravam para levar Vango preso pelo assassinato de Padre Jean, seu grande amigo. Vango então se lança em uma fuga alucinada que teve início desde os quatorze anos e que mais uma vez se faz necessária para salvar sua vida, ele só não sabe o porquê.
O pior. Havia lhe acontecido o pior. Uma bola cheia de pregos girava dentro dele. Sentia o coração e a pele virarem ao contrário, como os coelhos que os caçadores abriam ao sol da Sicília na sua infância. (Pág.34)
Além de ter lido uma história sensacional, eu pude me deleitar com fatos verdadeiros na história da humanidade. A história de Vango é muito sublime porque ele é um rapaz que desconhece sua origem, a única coisa que sabe é que em uma noite foi resgatado em uma ilha e lá viveu praticamente toda a sua vida com sua babá que zelava por sua vida incansavelmente. Ele ainda criança já percebemos sua paixão pela vida, pela liberdade, já que esta foi sua companheira inseparável, assim como a solidão. Ele e Mademoiselle viviam sozinhos e isolados na ilha, na casa de homem temido, que cedeu sua morada aos dois náufragos e foi morar no abrigo do seu animal de estimação. Vango conquistava a todos que conhecia, espontaneamente, sem nenhum esforço, apenas por seu carisma. Além da história do Vango, eu fiquei encantada com os personagens reais e estes personagens atiçaram mais ainda a minha curiosidade, assim como o inimaginável Graf Zeppelin, pois eu vi que ele realmente existiu e não foi somente uma ficção. Adorei o cenário da década de trinta, assim como os países narrados e que todos sonham em conhecer. Fatos marcantes da história, de formas alegres e tristes que vale a pena conhecer. Agradeço a Editora Melhoramentos por esta rica oportunidade e que com certeza, recomendo e desejo que todos conheçam.

Fombelle, Timothée de. Vango: entre o céu e a terra. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2015.



3 Comentários:

Fransciele Junia 18 de junho de 2015 08:00  

Parece ser uma história boa, mas não me conquistou de primeira. Quem sabe mais pra frente eu mude de ideia, amo novidades.
Parabéns pela resenha...

Sabrina Costa 18 de junho de 2015 12:28  

Eu já adoro histórias de épocas passadas, e ainda mais esse mistério sobre a história do protagonista, torna o livro mais interessante. Certamente vou adicionar a minha lista de leituras futuras!

Milena Soares 21 de junho de 2015 15:16  

Nossa que história interessante, parece bem eletrizante e envolvente, fiquei doida pra ler esse livro, já foi pra lista de desejados.

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