Vermelho como sangue - Salla Simukka

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

No congelante inverno do Ártico, Lumikki Andersson encontra uma incrível quantidade de notas manchadas de vermelho, ainda úmidas, penduradas para secar no laboratório de fotografia da escola. Cédulas respingadas de sangue. Aos 17 anos, Lumikki vive sozinha, longe de seus pais e do passado que deixou para trás. Em uma conceituada escola de arte, ela se concentra nos estudos, alheia aos flashes, à fofoca e às festinhas dominadas pelos garotos e garotas perfeitos. Depois que se envolve sem querer no caso das cédulas sujas de sangue, Lumikki é arrastada por um turbilhão de eventos. Eventos que se mostram cada vez mais ameaçadores quando as provas apontam para policiais corruptos e para um traficante perigoso, conhecido pela brutalidade com que conduz os seus negócios. Lumikki perde o controle sobre o mundo em que vive e descobre que esteve cega diante das forças que a puxavam para o fundo. Ela descobre também que o tempo está se esgotando. Quando o sangue mancha a neve, talvez seja tarde demais para salvar seus amigos. Ou a si mesma.
Lumikki Andersson é uma jovem de 17 anos totalmente que leva a sua vida de uma forma singular. Ela faz questão de ser diferente a qualquer outro adolescente, não é adepta de afetividades e não tem amigos, fazia questão de se isolar de tudo e de todos, o máximo possível. Ela vive sozinha na fria Tampere, longe de sua família e do seu passado que ela faz questão de esquecer. Um dia na escola, ela sente uma daquelas vontades irresistíveis de se isolar e se esconder, e foge para o laboratório de fotografia. Lá ela é surpreendida pelo cheiro de sangue e ao acender a luz, descobre dezenas de notas de quinhentos euros penduradas para secar, após serem lavadas do sangue que as impregnava. Assustada, ela retorna para a sala da aula, mas não consegue esquecer o que viu. Após as aulas ela volta ao laboratório e descobre que o dinheiro sumiu. Desconfiada, ela começa a pensar a quem poderia pertencer o dinheiro, e lhe vem a memória o jovem Tuukka, filho do diretor da escola que passou por ela a poucos minutos no corredor. Ela decide então segui-lo, mesmo sua consciência mandando-a esquecer e que com certeza é confusão garantida. Ela o segue e o encontra no refeitório na companhia de seus amigos inseparáveis: Elisa, filha única e mimada de um policial e Kasper, um delinquente sem expressão. Os três juntos eram a expressão máxima daquilo que Lumikki desprezava, porém a curiosidade para saber em que os três estavam envolvidos foi maior do que seu bom senso. Mas em um momento de distração Lumikki é surpreendia por Tuukka que a pressiona de forma ameaçadora, mas Lumikki, com sua voz imperativa o convence de que não quer nada e vai embora. Certa de que estava livre de um problema, ela é surpreendida mais uma vez quando Elisa a telefona e pede ajuda, envolvendo-a em uma investigação muito perigosa que trará a todos graves consequências.
Não era um pedido nem uma ordem, simplesmente uma afirmação. Um fato. Nunca dê opções para as pessoas, apenas lhes dê diretivas simples. Não implore nem exija, apenas diga a elas como as coisas são. (Pág.45)
Este é o primeiro livro de uma trilogia policial muito intrigante e envolvente. A cada capítulo é mostrado os acontecimentos pela visão de um dos personagens, tornando a leitura bem dinâmica. Lumikki é uma garota que de cara me lembrou da Lisbeth Salader da trilogia Millenium, e em uma das passagens ela é até citada. Mesmo se tratando de uma adolescente, ela é muito madura, até mesmo velha intelectualmente para sua idade. É determinada e sabe daquilo que quer, sem se envolver fisicamente e nem afetivamente com ninguém, o que em muitos momentos ela é surpreendida pelo comportamento de Elisa. Foi uma ótima leitura e quero logo ler os próximos livros da série.

Simukka, Salla. Vermelho como o sangue. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2014.

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