As estranhas e belas mágoas de Ava Lavender - Leslye Walton

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Gerações da família Roux aprenderam essa lição da maneira mais difícil. Os amores tolos parecem, de fato, ser transmitidos por herança aos membros da família, o que determina um destino ameaçador para os descendentes mais jovens: os gêmeos Ava e Henry Lavender. Henry passou boa parte de sua mocidade sem falar, enquanto Ava que em todos os outros aspectos parece ser uma jovem normal nasceu com asas de pássaro. Tentando compreender sua constituição tão peculiar e, ao mesmo tempo, desejando ardentemente se adaptar aos seus pares, a jovem Ava, aos 16 anos, decide revolver o passado de sua família e se aventura em um mundo muito maior, despreparada para o que ela iria descobrir e ingênua diante dos motivos distorcidos das demais pessoas. Pessoas como Nathaniel Sorrows, que confunde Ava com um anjo e cuja obsessão por ela cresce mais e mais até a noite da celebração do solstício de verão. Nessa noite, os céus se abrem, a chuva e as penas enchem o ar, enquanto a jornada de Ava e a saga de sua família caminham para um desenlace sombrio e emocionante.
Na noite que Ava nasceu, uma estranha reação aconteceu nos pássaros. Houve uma espécie de reunião de várias espécies que iam se acumulando e gerando uma enorme balbúrdia, e pouco antes do nascimento, sua mãe viu enormes penas caindo do céu. Os médicos, ao analisar o bebê não souberam explicar aquela estranha anomalia: a menina possuía asas. Asas estas que não era possível operar, pois estavam rigidamente ligadas à importantes órgãos. Assim cresceu Ava, uma menina inteligente, vivaz e muito curiosa. Mas devido à sua peculiar condição física, sua mãe a manteve isolada dos curiosos da cidade. Ela vivia praticamente reclusa na casa situada na Rua Pinnacle Lane, junto com seu irmão gêmeo Henry. Henry não tinha asas, mas passou boa parte de sua vida sem falar. A principio todos acharam que ele tinha algum problema, mas aos poucos descobriram que ele só falava quando tinha vontade. Toda a família de Ava era bem singular, a começar pela sua avó Emilienne, que era a primeira de quatro filhos, todos eles nascidos em 1º de março. Mas para Ava, assim era sua família: pessoas reservadas e estranhas, mas uma família. E tinha também Gabe que chegou ali procurando trabalho e acabou ficando como um faz tudo da família. Tinha também Wilhelmina que acabou se tornando sócia de Emilienne na padaria. Mesmo com esta proteção toda, Ava acabou fazendo uma amiga. Cardigan Cooper foi a primeira e única amiga por muito tempo, pois era corajosa o suficiente para espiar pela cerca e se aproximar de Ava com toda a sua peculiaridade, levando junto o seu irmão Rowe. Mas uma pessoa também se aproximaria de Ava, e mudaria sua vida para sempre: Nathaniel Sorrows.
Para muitos eu era um mito encarnado, a personificação de uma lenda magnífica, um conto de fadas. Alguns me consideravam um monstro, uma mutação. Para meu infortúnio, certa vez fui confundida com um anjo. Para minha mãe, eu era tudo. Para meu pai, absolutamente nada. Para minha avó, eu era um lembrete diário de amores havia muito tempo perdidos. Mas eu sabia a verdade – no fundo, sempre soube. Eu era apenas uma menina. (Pág.7)
Você pegar um livro e ler a sinopse é uma coisa. Não te prepara para o que vem a seguir. Mas este é o primeiro parágrafo do livro e já me encantei pela história. Este livro me lembrou muito A garota que perseguiu a lua; mais pelos elementos fantásticos introduzidos dentro do contemporâneo. Às vezes o “normal” é mais perigoso do que o “diferente”, e o “diferente” sempre é mais atraente. Poético e sensível são adjetivos para se descrever esta bela história, que pra mim valeu muito a pena.

Walton, Leslye. As estranhas e belas mágoas de Ava Lavender. Ribeirão Preto, SP. Novo Conceito Editora, 2014.




1 Comentário:

Adri Brust 24 de janeiro de 2015 11:54  

Oi Márcia! Pela sinopse, não temos a menor noção do que esperar desse livro. Não dá para ter a menor noção do que vai aparecer lá dentro. Me surpreendi bastante ao encontrar uma história linda e, como você disse, poética. Adorei a história.

Beijos,
Adri Brust
http://stolenights.blogspot.com

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