Azul da cor do mar - Marina Carvalho

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ACASO, DESTINO ou LOUCURA? No caso de Rafaela, Pode ser tudo isso junto. Para alguém como ela, nada é impossível. Rafaela sonha desde a adolescência com o garoto que viu uma vez, perto do mar, carregando uma mochila xadrez... A idéia fixa não a impediu, porém, de ser uma menina alegre e muito decidida. Ela quer ser jornalista, e seu sonho está se concretizando: Rafaela Vilas Boas (um nome tão imponente para alguém tão desajeitado) conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais. Mas, como estamos falando de Rafa, alguma coisa tinha que dar errado. O jornal é mesmo incrível, mas seu colega de trabalho, Bernardo, não é a pessoa mais simpática do Mundo. Em meio a reportagens arriscadas – e alguns tropeços -, Bernardo acaba percebendo, contra a sua vontade, que Rafaela leva jeito para a coisa... E que eles formam uma dupla de tirar o fôlego. Mas e a mochila? E o garoto, o envelope, as cartas? Um dia a estabanada Rafaela vai ter que se libertar dessa obsessão.

Rafaela é uma jovem prestes a se graduar em jornalismo. O sonho de sua vida é trabalhar na seção investigativa de um grande jornal, e eis que surgiu a sonhada oportunidade. Contratada para estagiar em um grande jornal de Minas, a única coisa que ela não imaginava era encontrar resistência daquele que foi designado a ser seu mentor: Bernardo. Bernardo era o prodígio do departamento de matérias investigativas, porém não sabia trabalhar em equipe. Desde o primeiro momento ele fez de tudo para dificultar a vida de Rafaela. Por outro lado, Rafaela fazia de tudo para não se deixar intimidar pela rabugice de Bernardo. Ela conseguia encontrar o equilíbrio adequado entre seus estudos, suas amigas, sua família e o seu estágio, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas. Sua válvula de escape era o diário que escrevia para seu “Menino da mochila Xadrez”. Desde a infância ela fantasiava sobre o garoto de tristes olhos azuis que ela encontrou em uma praia de Iriri, e nunca mais se esqueceu dele. Portanto ela sempre escrevia para ele, contando suas alegrias e tristezas, fantasiando de um dia poder encontrá-lo. Enquanto este dia não chegava, ela se aventurava cada vez mais profundamente nas matérias a qual era designada e sentia-se feliz pelos elogios e reconhecimentos alcançados. Todos na seção, com exceção de Bernardo, elogiavam e reconheciam seus esforços. Todos a tratavam com carinho enquanto que com Bernardo eram brigas homéricas, como cão e gato. A situação piora bastante quando sua (ex) amiga se envolve com Bernardo em uma paquera explícita, Rafaela fica irada com sua audácia. Seu argumento para tamanha ira, era que este relacionamento iria prejudicá-la, o que não convenceu em nadinha suas amigas Alice e Sofia, que estavam seriamente confiantes de que o que Rafaela sentia por Bernardo não era nada mais do que ciúmes. Rafaela fica em choque, ela não suportava o Bernardo, assim como ele não a suportava. Como assim? Ela não poderia estar interessada nele. Ela não queria estar interessada nele.
Subitamente, uma onda de tremor percorreu meu corpo, como se uma britadeira ligada morasse dentro de mim. Foi uma sensação de posse, uma coisa meio irracional que acendeu um alerta no meu cérebro, tipo: Não mexam com o que é meu. Não fazia o menor sentido, porque eu nem simpatizava com Bernardo nem nada. (Pág.119)

Este é o terceiro livrão da escritora mineira Marina Carvalho, e que merece o reconhecimento dos leitores. Sua escrita é marcante e descontraída, com suaves pinceladas cômicas. Como sempre, suas protagonistas são fortes e também engraçadas. Aliás, Rafaela é um desastre ambulante. Parece que atrai, sendo única filha mulher entre três irmãos homens mais velhos, ela é a queridinha e tudo o que acontece com ela acaba virando um show à parte. Adorei a química entre Rafaela e Bernardo, que eram afinados, mas se bicavam o tempo todo.
A Marina mais uma vez nos apresenta um livro fofo, com uma escrita leve e deliciosa. Adorei mais uma vez.

Carvalho, Marina. Azul da cor do mar. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2014.


4 Comentários:

Lhéu Suély 26 de novembro de 2014 08:13  

Queria poder ler mais livros, mas leio poucos só uns 3 por ano...
Por isso acho legal blogs de resenhas literárias, assim a gnt não fica tão por fora.
Gostei, muito legal!
Blog ArroJada
Divulgação de Blogs

Silvana Sartori 26 de novembro de 2014 10:59  

Olha esse foi o primeiro livro que li da Marina Carvalho e tenho que dizer que gostei bastante da sua resenha, até porque você soube destacar muito bem tudo que se passa na história. Eu simplesmente amei esse livro. Me apaixonei pelos personagens e espero que outros leitores tenham oportunidade de ler, porque é muito lindo mesmo. EU ADOREI e até favoritei. Para minha alegria, até conheci a autora pessoalmente e ganhei meu autografo. Lógico que fiquei feliz da vida né? Enfim... Mas olha, você está de parabens pela sua resenha. ADOREI MESMO. Continue assim linda. E olha, estou te seguindo tá? Poderia me seguir também? Ficarei feliz de sempre estar visitando o seu cantinho =] Se cuida e fica com Deus

lovereadmybooks.blogspot.com.br

Rízia Castro 26 de novembro de 2014 13:06  

Sou apaixonada de Marina Carvalho e tive o prazer de conhecê-la na Bienal de SP!
Gostei muito desse livro e vem a continuação por ai!
Beijinhos
Rizia - Livroterapias

Inês Gabriela A. 4 de dezembro de 2014 19:45  

Olá,
A Marina é sempre tão bem falada e agora que ela assinou com a Galera Record ganhou ainda mais visibilidade. De todos os livros dela o que mais chama minha atenção é, sem dúvidas, esse.
Beijos.
Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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