A menina que brincava com fogo - Stieg Larsson

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade", raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. O autor - um jornalista sueco especializado em desmascarar organizações de extrema direita em seu país - morreu sem presenciar o sucesso de sua premiada saga policial, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo. Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi mor-to a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes - um Colt 45 Magnum - não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis - e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.
Lisbeth conheceu Mikael quando foi escalada através da empresa em que trabalhava para participar de uma difícil investigação para se descobrir o paradeiro da neta de um homem muito poderoso e que havia desaparecido misteriosamente. Desde então Lisbeth conquistou o respeito de Mikael, porém ela acabou quebrando uma regra pessoal sua e estava sofrendo as consequências. Em virtude disso ela toma uma decisão radical e desaparece por uns tempos. Foram vários meses de anonimato absoluto e uma transformação que a transformou em uma nova mulher, mas sem perder a sua essência intempestiva e determinada. Para Mikael, o desaparecimento de Lisbeth era uma incógnita inexplicável. Por mais que ele pensasse, não conseguia entender o porquê de sua atitude. Todos os dias ele ia até sua residência e chegou até a montar acampamento, mas nem sinal. Mandou e-mails e mais e-mail, mas todos ficaram sem resposta. Atarefado com a revista em que é sócio e colunista, ele divide o seu tempo administrando as publicações e entrevistas, resultado do livro publicado sobre o escândalo sobre o império financeiro, que mudou sua vida após denunciar um esquema de fraudes de um grande empresário sueco, com o novo empreendimento da revista: publicar uma série de matérias denunciando o tráfico de mulheres e a exploração sexual do jornalista e escritor Dag Svensson. Dag é noivo de Mia Bergman, uma criminologista, e baseou suas matérias na tese defendida por Mia. O plano é publicar as matérias e ao mesmo tempo publicar também um livro com a denúncia completa, onde vários nomes importantes serão citados, inclusive de policiais que deveriam defender os inocentes. Uma publicação arriscada e que exige muita cautela. Faltando poucos dias para a publicação o casal é assassinado e Mikael é a pessoa que encontra a cena do crime de uma forma chocante. Durante as investigações, todas as pistas levam somente a um nome: Lisbeth Salander. Porém Lisbeth não é encontrada para dar explicações, e todos os registros encontrados pelos investigadores, apontam para uma delinquente louca, desequilibrada e não apta a viver em sociedade. Em instantes a mídia julga e condena, mas Mikael se recusa a acreditar em tal absurdo. Os investigadores do caso se deparam com uma controvérsia atrás da outra. Enquanto os registros psicológicos apontam para uma mulher com sérios problemas psiquiátricos, todos que a conheceram descrevem uma mulher sistemática e extremamente inteligente e meticulosa. Muitas serão as acusações e os desencontros, mas para Mikael Lisbeth não é culpada e mesmo sem encontrar com ela há um bom tempo, ele fará sua própria investigação e provar a inocência de sua amiga.
Este é o segundo livro da Série Millennium e com certeza é pura adrenalina. Enquanto o primeiro livro, mesmo com um grande mistério tinha seus momentos de monotonia, este é recheado de intrigantes acontecimentos que nos mantém refém do início ao fim. Lisbeth está mais suprema do que nunca com suas transformações, mas se mantendo a mesma, sempre inteligente e astuta. Mikael com sua elegância e determinação, não perde a fé na inocência de Lisbeth mesmo nos momentos mais críticos. Um livro que eu não consegui largar enquanto não cheguei à última página.

Larsson, Stieg. A menina que brincava com fogo. São Paulo, Companhia das Letras, 2009. (Millenium, 2)

1 Comentário:

Greice Blogando Livros 5 de setembro de 2014 15:32  

Oiii! Acredita que quando eu olhava esta capa nem lia o título porque pensava que fosse do James Patterson? Olha a minha inocência!
Nossa e é bem do estilo que eu gosto de ler. Mas como você comentou que o primeiro é mais paradinho eu já fico meio que parando porque não gosto de livros de suspense parados! hahahaha

Beijos

Greice Negrini

Blogando Livros
www.amigasemulheres.com

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