Reconstruindo Amelia - Kimberly McCreight

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Kate Baron, uma bem-sucedida advo­gada, está no meio de uma das reuniões mais importantes de sua carreira quando recebe um telefonema. Sua filha, Amelia, foi suspensa por três dias do Grace Hall, o exclusivo colégio particular onde estuda. Como isso foi acontecer? O que sua sensata e inteligente filha de 15 anos poderia ter feito de errado para merecer a punição? Sua incredulidade, no entanto, vai aos poucos se transformando em pavor ao deparar, no caminho para o colégio, com um carro de bombeiros, uma dúzia de policiais e uma ambulância com as luzes desligadas e portas fechadas. Amelia está morta. Aparentemente incapaz de lidar com a suspensão, a garota subiu no telhado e se jogou. O atraso de Kate para chegar a Grace Hall foi tempo suficiente para o suicídio. Pelo menos essa é a versão do colégio e da polícia. Em choque, Kate tenta compreender por que Amelia decidiu pôr fim à própria vida. Por tantos anos, as duas sempre estiveram unidas para enfrentar qualquer problema. Por que aquele ato impulsivo agora? Suas convicções sobre a tragédia e a pró­pria filha estão prestes a mudar quan­do, pouco tempo depois do funeral, ela recebe uma mensagem de texto no celular: Amelia não pulou.
É certo que Kate Baron não é uma mãe em tempo integral, mas ainda assim é uma mãe zelosa que tem o respeito e o carinho de sua filha Amelia. Sempre foi somente as duas e elas são muito amigas, pois Amelia entende sem nenhuma recriminação a rotina estressante de sua mãe e todo o esforço que ela faz para estar sempre presente e ser interessada por toda a sua rotina. Mas além da mãe ela também dedica uma profunda amizade com Sylvia desde quando eram crianças, e agora na adolescência, elas se tornaram grandes confidentes. Para Kate sua filha Amélia é muito mais do que especial, pois sua rotina exige ausências difíceis de contornar, mas ela nunca demonstrou contrariedade ou reclamou exceto que nos últimos tempos ela vinha insistindo na verdadeira história do pai, pois a que Kate conta até o momento não a convence mais. Inteligente e dedicada, uma filha para se orgulhar sempre, fica até difícil de lhe negar algum pedido, principalmente um como aquele que ela fez pela manhã: ir morar um semestre em Paris. Ela não sabia o que poderia estar se passando com a filha para lhe fazer um pedido inusitado como este, e justamente quando ela pensava na conversa que teria com a filha logo mais a noite é que ela é surpreendida por uma ligação da rigorosa escola em que ela estuda. Extremamente chocada com a notícia da suspensão de Amelia, ela sai às pressas, mas acaba se atrasando para chegar à escola. Quando Kate chega à escola, não imagina que a partir daquele momento toda a dor estaria lhe aguardando. Amelia, sua amada filha, tão linda, tão inteligente havia pulado do telhado da escola, não suportou a humilhação de uma suspensão. Esta foi a explicação da polícia, que encontrou um pedido de perdão gravado na parede, e que rapidamente os levaram à conclusão do inquérito. Passado um mês do seu luto, Kate sente uma profunda urgência de voltar ao trabalho e parar de remoer sua dor, sua saudade e sua solidão. Apesar de que enfrentar a piedade nos olhos de seus colegas não ser uma opção, é a única alternativa para evitar ficar perambulando pela casa que ela comprou para Amelia, de ficar observando a mobília e os aparelhos que ela nunca usaria, pois todos foram comprados para que sua filha tivesse o melhor. Para sua filha que nunca lhe daria um neto. Para sua filha que tinha precocemente partido de uma forma inesperada e dolorida. Até que Kate recebe uma mensagem que pela segunda vez em pouco mais de trinta dias, lhe tira o chão de sob seus pés e revira seu mundo de ponta cabeça:
Amelia não pulou.
Kate fechou os olhos com força. Não, aquela mensagem não dizia o que ela pensava que dizia. Não era possível. Apertou ainda mais os olhos antes de voltar a abrí-los. Mas, quando fitou de novo o telefone, a mensagem continuava lá. Amelia não pulou. Leu-a mais três vezes, mas as palavras não mudavam. O coração de Kate batia com força quando ela apoiou o telefone no centro da mesa com cuidado. Então, empurrou a cadeira para longe, a fim de observar o aparelho de uma distância segura. (Pág. 51)
Quando li a sinopse deste livro eu fiquei chocada. É claro que eu iria querer lê-lo e principalmente descobrir o que de verdade aconteceu com Amelia. Sofrer com a dor de Kate é consequência, pois só quem tem coração de pedra não sofreria. Mas confesso que em alguns momentos fiquei com muita raiva da Kate, pois apesar de não ser uma mãe omissa, a confiança que ela depositava em Amelia era merecida, mas não para que ela fosse tão cega. O livro é narrado em dois tempos, pelo atual em que Kate começa a investigar o que realmente aconteceu e no tempo antes do suicídio em que acompanhamos o dia-a-dia de Amelia, sua rotina, anseios e aflições até o exato momento da queda. Foi incrível estar dentro da cabeça das duas personagens e conhecer a opinião que cada uma tem de sim mesma e da outra. O livro foi um suspense do início ao fim, e apesar de dar vários chutes, a todo o momento o meu palpite era desviado por um novo fato. É um livro muito bacana, que adorei ler e já tenho lista de espera para o empréstimo. Super recomendo esta trama que vai te deixar de queixo caído com o que pode acontecer dentro de uma escola. 

McCreight, Kimberly. Reconstruindo Amelia. São Paulo; Arqueiro: 2014.

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