O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver

quarta-feira, 23 de julho de 2014


Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo... O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado. Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura. Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.

O livro se inicia em janeiro de 2009, Mika, um senhor já idoso, passeia com o seu neto Daniel pelas ruas de Nova York, quando se depara com um cartaz na parede do teatro, o espetáculo "O Menino dos Fantoches de Varsóvia". Mika imediatamente entra em desespero e passa mal, ao voltar para casa ele conta a Danny o motivo daquilo tudo: ele era o Menino dos fantoches de Varsóvia.

A partir daquele acontecimento, Mika resolve contar toda sua história de quando Hitler transformou Varsóvia em um inferno para os judeus. Mika, seu avô e sua mãe, toda sua família mandada para o Gueto: um lugar totalmente dominado pelo caos e desespero, em meio as doenças e ordens absurdas emanadas das bocas dos militares. O avô de Mika, Jacob, antes da guerra explodir, mandou o seu alfaiate costurar um sobretudo para ele, com bolsos secretos, bolsos dentro de bolsos, bolsos onde apenas Jacob e Nathan sabia onde se encontravam, a partir daquele momento, Jacob guardou os seus tesouros mais precisos por aquele labirinto de bolsos.

Quando foram mandados para o Gueto, Jacob não tinha mais a mesma relação com Mika, se mantinha trancando em um dos quartos do apartamento, e quase não conversava com sua filha e seu neto. Porém, em um de seus passeios pelo Gueto, Jacob interferiu quando soldados mandavam uma moça tirar a roupa no meio da rua, e assim... lá se foi o "vovô Tatus", com um tiro certeiro que o deixou vivo apenas para dizer que seu sobretudo deveria ficar com Mika. O garoto assim fez, e tornou o sobretudo o seu abrigo e armadura, ainda com o cheiro de seu avô, era o sobretudo que protegia o menino; após um tempo Mika descobre alguns dos melhores tesouros que seu avô escondeu no quarto em que ficava: vários e vários fantoches, feitos com retalhos de panos e coisas encontradas por aí.

Assim, Mika começa a levar um pouco de cor e alegria para aquele lugar cinza tão cheio de sofrimento, se apresenta para crianças em orfanatos, hospitais, e até mesmo em aniversários em troca de um pouco de comida. Até que ele é pego por Max, um soldado que o obriga a apresentar-se no quartel para entreter os "ratos de farda". E é assim, com a sua vida dupla, uma vergonhosa e outra em que luta para sobreviver. Acompanhamos toda trajetória do menino que em 1942 foi preso em uma cidade de caos e sobreviveu para contar todo o horror vivido naquela época.

Eu continuei a escondê-las em meu sobretudo. Senti a presença do espírito do meu avô mais do que nunca naquelas semanas, como se o próprio tecido do casaco sussurrasse "coragem" em meus ouvidos toda vez que eu me aproximada do Wache...  pag. 214

Bom gente, eu sou meio suspeita para falar sobre livros de histórias que se passam na Segunda Guerra Mundial, por motivos de: sou completamente apaixonada pelas histórias dos que sobreviveram ou que ao menos lutaram contra tudo aquilo. Mesmo Mika não sendo real, vários personagens introduzidos na história são heróis que realmente viveram naquela época, o que dá aquela satisfação em ver que a autora realmente se aprofundou na realidade para criar esta emocionante obra.

Mika e vários outros personagens são encantadores, até mesmo os que eram para ser ruins ganharam um espacinho em meu coração em alguns momentos. A narrativa de Eva é simplesmente... simples, mesmo se tratando de uma história tão triste e dolorosa, a autora conseguiu fazer fluir, mostrando de forma realista cada momento vivido pelos personagens, me fazendo sentir os mesmos sentimentos que eles sentiram, como se eu estivesse ao lado deles enquanto tudo aquilo acontecia.

Dividida em três partes, a narrativa é dividida entre a primeira e a terceira pessoa do singular. Na primeira parte temos a história de Mika, e na segunda a história Max, o soldado alemão que cruzou o caminho do garoto e mudou um pouco o rumo de sua vida. A terceira, bom, aí vocês têm que ler para descobrir sobre quem é esta parte, senão estarei dando muito spoiler para vocês. Enfim, a capa é linda, a Novo Conceito fez um belo trabalho, encontrei apenas 2 ou 3 erros de digitação, mas tirando isso, tudo ficou encantador.

 O Menino dos Fantoches de Varsóvia. Weaver, Eva. Ribeirão Preto, São Paulo. Novo Conceito Editora, 2014.




sobre o autor
Eduarda GalvãoEduarda Galvão, 18 anos, Brasília. Cheia de esquisitices e manias. Apaixonada por livros e personagens. Louca por filmes e séries. Com mania de colecionar livros, canecas e amores..

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