Querida Sue - Jessica Brockmole

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Março, 1912: A jovem poeta Elspeth Dunn nunca viu o mundo além de sua casa, localizada na remota ilha de Skye, noroeste da Escócia. Por isso, não é de espantar a sua surpresa quando recebe uma carta de um estudante universitário chamado David Graham, que mora na distante América. O contato do fã dá início a um intercâmbio de cartas onde os dois revelam seus medos, segredos, esperanças e confidências, desencadeando uma amizade que rapidamente se transforma em amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial força David a lutar pelo seu país, e Elspeth não pode fazer nada além de torcer pela sobrevivência de seu grande amor. Junho, 1940, começo da Segunda Guerra Mundial: Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Britânica. Sua mãe a alerta sobre os perigos de um amor em tempos de guerra, um conselho que Margaret não quer ouvir. No entanto, uma bomba atinge a casa de Elspeth e acerta em cheio a parede secreta onde estavam as cartas de amor de David. Com sua mãe desaparecida, Margaret tem como única pista do paradeiro de Elspeth uma carta que não foi destruída pelas bombas. Agora, a busca por sua mãe fará com que Margaret conheça segredos de família escondidos há décadas.

Cartas... Muitas cartas!
Elspeth é uma jovem poetisa casada com um pescador na pequena ilha de Skye na Escócia com uma vida cômoda e tranquila. Já com alguns livros publicados, ela nunca saiu da ilha devido ao medo profundo do mar, mas não sente falta de uma vida diferente. Quando ela recebe uma carta de um jovem estudante universitário americano, ela se surpreende com o alcance que seus livros tiveram atravessando o oceano até o outro lado do mundo.  Entusiasmada ela responde à correspondência de David Graham e começa então uma troca de correspondências repletas de desabafos e aconselhamentos. Começa a primeira guerra mundial e a troca de cartas continua com o desejo de se conhecerem, mas sem a coragem de Elspeth de tomar a balsa para deixar a Ilha, seu marido e seu irmão partem para a guerra e ela cada vez mais encontra nas cartas a companhia e o refúgio de sua solidão e a inspiração necessária para suas poesias. Uma grande intimidade se inicia, com carinho e respeito tornando uma simples amizade em algo muito mais profundo, sereno e seguro, mas que os transforma até que David se oferece como voluntário e parte para a França mudando o destino e se transformando na fagulha necessária para uma grande chama.
“Acha realmente que precisa provar algo sobre si mesmo para mim? Acha que tem de fazer alguma coisa além de continuar a existir aí? É só isto que eu peço. Apenas exista. Pensando em você. Sue.” (Pág. 94).
O livro é “contado” em dois momentos. Porque eu coloquei o contado entre aspas? Porque na verdade a história se passa inteira através de cartas. No primeiro dos momentos estamos em 1912 quando começa a troca de cartas entre Elspeth e David, uma poetisa escocesa que vive em uma pequena ilha e o jovem David, estudante sonhador que ainda não encontrou seu caminho na América. No segundo momento se passa em 1.940, início da segunda guerra e as cartas é trocado entre Elspeth e sua filha Margaret, onde percebemos a preocupação dela com o relacionamento da filha por um rapaz convocado para combater na guerra.
“Eu devia ter lhe contado. Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma. Ah, se você soubesse...” (Pág.18)
Nas cartas vemos nuances de nostalgia e também receio, até que uma bomba atinge parte da casa em que vivem e Margareth encontra uma mala de cartas, despertando nela a curiosidade de conhecer a misteriosa história de sua mãe. A troca de cartas é uma poesia a parte, onde nos emocionamos e com uma curiosidade natural, tentamos descobrir os sentimentos, as atitudes de cada um, assim como também suas motivações. Surpreendente e emocionante, é assim que defino esta obra delicada e sensível até o fim.

Brokmole, Jessica. Querida Sue. São Paulo: Arqueiro, 2014.

1 Comentário:

Fabrica dos Convites 5 de junho de 2014 23:45  

Achei bem interessante o livro ser contado em forma de cartas trocadas, ainda mais hoje em dia que não é mais usual isso.
Bjs, Rose.

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