Eleanor & Park - Rainbow Rowell

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Eleanor está voltando do exílio de um ano na casa da amiga da mãe, após ser expulsa de casa pelo padrasto Richie. Ela sentiu muita falta da família e está feliz em retornar, mas ainda prefere manter o mais distante possível de Richie. A vida nesta nova casa é muito diferente da vida anterior e também muito pior. A casa é muitíssimo menor, ela tem que dividir o quarto apertadíssimo com seus quatro irmãos menores, com o nível de privacidade abaixo de zero. Isto sem contar a restrição alimentar a qual é obrigado a suportar, devido à falta de recursos. Uma adolescência muito difícil, mas sem rotas de fugas. Na escola também não era melhor, seu estilo e personalidade não foram ingredientes adequados para fazer novas amizades. Pelo contrário, este recomeço, nesta nova escola tem sido muito difícil com aqueles garotos demoníacos a provocar por causa de seus cabelos intensamente vermelhos e suas vestes nada ortodoxas. Mas Eleanor não se abate com o bullyng de que é vítima evitando qualquer confronto. No ônibus da escola, o único que não a provoca é o estranho oriental que fica toda a viagem lendo revistas em quadrinhos e o único a lhe oferecer lugar. Park é filho de uma coreana e já se acostumou em ser diferente em uma escola com alunos que gostam de ditar regras. Apesar de não querer amizade, ele não acha correto o que seus colegas fazem com a nova aluna ruiva, mas ele não quer chamar a atenção defendendo-a. Mas quando ele percebe que ela está lendo seus quadrinhos por tabela durante a viagem do escolar, não teve outra atitude senão a ler mais devagar para que desse tempo dela acompanhar a leitura. E assim passou a ser a cada nova viagem, até que ele teve a iniciativa de deixar os quadrinhos no banco para que ela pudesse levar para casa e devolver no dia seguinte. Quando ele percebeu anotações de músicas nos livros de Eleanor, ele fez questão de gravar um cassete com suas músicas favoritas para que ela ouvisse e quando ela recusou o presente por não ter pilhas, ele comprou o máximo de pilhas possível para dar a ela. E cada vez mais estes pequenos gestos tornou-se essencial para a vida dos dois, transformando uma convivência em algo muito maior.
                                                                              Park
Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo. (Pág. 74).

                                                                              Eleanor
Mesmo estilhaçada em milhões de pedaços, Eleanor ainda sentia o toque de Park em sua mão. Sentia o dedão dele explorando lhe a palma. Ficou sentada, completamente imóvel, porque não tinha opção. (Pág.. 75)
O livro me deixou de queixo caído e em uma ressaca literária daquelas. Como eu queria mais um capítulo. Ou melhor. Como eu quero mais um livro com Eleanor & Park. Dois adolescentes fora dos padrões, ela sendo massacrada pela maioria do corpo estudantil e enfrentando com uma abnegação de doer a alma e ele mudando seus valores para defendê-la. Ela com uma família desestruturada, enfrentando várias desavenças e transformando-o em sua tábua de salvação. O livro tem o ponto de vista dos dois personagens de forma intercalada, o que nos permite sentir os sentimentos de ambos em uma linguagem poética. Surpreendente, delicado, intenso, sutil e simplesmente apaixonante.

Rowl, Rainbow. Eleanor & Park. Barueri, SP: Novo Século Editora, 2013.


1 Comentário:

Evelyn Butignoli 21 de junho de 2014 18:54  

Marciaaaaaa q resenha linda!! Acabou d.entrar pra lista!! Vou ler assim q terminar de ler o do Clube!! Amei!

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