Refém da obsessão - Alma Katsu

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Havia uma parte em Lanny que queria ser punida. Um pedaço de seu coração que acreditava que ela merecia o horror de ser imortal, a tristeza de ver todos aqueles que amara partirem, enquanto ela só podia conviver com as perdas e as lembranças. Terríveis e solitárias lembranças. Este “dom”, oferecido pelo mais malvado dos homens, Adair, era, para ela, a resposta a uma pena que ela deveria cumprir. Mas, apesar das culpas e do castigo que pensava merecer, ela ainda sonhava. E esperava ser redimida por ter dado a Jonathan — seu grande amor — o esquecimento que purifica todo ser de sua dor: a morte. No entanto, bem no fundo de sua alma, ela suspeitava que, fosse o que fosse que a atraísse para Adair (e para sua maldade), fosse qual fosse o infeliz sentimento que os aproximara, este sentimento não fora totalmente exorcizado. Não importava que ela tivesse chegado ao cúmulo de emparedar aquele homem mau e deixá-lo para apodrecer, não importava que o tempo tivesse passado, nem que, hoje, ela pudesse contar com o apoio e os braços fortes e acolhedores de Luke... Adair estava por perto, ela podia senti-lo, e seu poder era inexorável
Spoiller do livro anterior.
Bem que Lanny queria levar uma vida normal... Conhecer Luke naquele momento foi como encontrar um oásis em um deserto, após ela matar o homem que amou por mais de duzentos anos, livrando-o do fardo de viver eternamente a seu próprio pedido. Luke acreditou em suas motivações e a ajudou a fugir também se tornando um foragido procurado. Mas para Luke ele não tinha nada a perder já que sua esposa o havia abandonado levando suas duas filhas, a atração por Lanny foi apenas um estopim para que desse um rumo diferente à sua vida. Agora dispostos a recomeçar em outro país e se livrar das amarras do passado, Lanny quase acreditou que poderia dar certo, até que ela volta a sentir a presença de Adair. Adair, o homem que a tornou imortal, e que devido a sua crueldade ela, juntamente com a ajuda de Jonathan  ela o enterrou em uma parede cimentada há mais de duzentos anos. Agora ele estava livre e o medo e desespero toma conta de Lanny. A certeza de que agora tudo estará perdido para ela, pois Adair irá se vingar. O medo maio não é de ele matá-la, mas sim as terríveis torturas que ele irá submetê-la. A ela só resta uma alternativa: fugir. Fugir para bem longe, para onde ele nunca irá encontrá-la. Fugir do homem que em um momento pode ser um anjo e em outro um demônio capaz de lhe despertar sentimentos contraditórios.
Ao mesmo tempo quando pensava em Adair, sabia que deveria ter pavor dele, sabia que ele era capaz de fazer coisas horríveis, mas também não conseguia deixar de ser tomada por uma grande excitação. Era como se tivesse sido cortejada pelo demônio, emocionante e intoxicante. Sentia frio no estomago ao me lembrar disso. Tinha sido amada por um homem que faria qualquer coisa por mim: mentir, trapacear, roubar. Matar. Quantas mulheres poderiam dizer a mesma coisa? Por mais assustador que tivesse sido, também fora um amor único. Exatamente da maneira que eu, um dia, me senti com relação a Jonathan. (Pág. 141)
Depois de duzentos anos ele finalmente estava livre. Após muitas tentativas de se libertar, Adair foi auxiliado pela mão do destino: a mansão em que ele está emparedado está sendo derrubada para dar lugar a uma via urbana e ele se vê em um mundo muito distante à sua época. O seu ódio transborda por todos os poros, pois Lanny, a mulher que ele mais amou em toda sua vida o traíra, enterrando-o em uma parede e abandonando-o à própria sorte. Se antes ele já tinha obsessão por Lanny, agora este sentimento aliado ao seu ódio transformou-se em um ingrediente perigoso e ele fará qualquer coisa para encontrá-la. Qualquer coisa mesmo...
Ele não poderia descansar até que tivesse em posse dela novamente, para fazer o bem entendesse. (Pág.108) 
Esta série é uma que me deixa ansiosa. Quando li o primeiro livro fiquei em dúvida se haveria continuação, pois o final tinha sido bem sutil neste sentido. Quando confirmei, fiquei ao mesmo tempo feliz e angustiada. Este é o segundo da trilogia e a autora conseguiu manter o clima instigante, misterioso que nos corrói de curiosidade. Os capítulos são intercalados entre a visão de Lanny e de Adair. Desta forma nós conseguimos visualizar um pouco das motivações de Adair ainda que suas atitudes não sejam nenhum pouco ortodoxas. Eu torço muito por Lanny, pois percebemos que ela amou loucamente e é vitima de um louco amor.

Katsu, Alma. Refém da obsessão. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2013.

1 Comentário:

raiane oliveira 13 de fevereiro de 2014 09:26  

estou louca pra ler esse livro, adorei a sinopse

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