O presente - Cecelia Ahern

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013



Todos os dias, Lou Suffern luta contra o tempo. Ele tem sempre dois lugares para ir, tem sempre duas coisas a fazer. Quando dorme, sonha com os planos do dia seguinte, e, quando está em casa, com a esposa e os filhos, sua mente está, invariavelmente, em outro lugar. Numa manhã de inverno, Lou encontra Gabe, um morador de rua, sentado no chão, sob o frio e a neve, do lado de fora do imenso edifício onde Suffern trabalha. Os dois começam a conversar, e Lou fica muito intrigado com as informações que recebe de Gabe; informações de alguém que tem observado uniões improváveis entre os colegas de trabalho de Lou, como os encontros da moça de sapatos Loubotin com o rapaz de sapatos pretos... Ansioso por saber de tudo e por manter o controle sobre tudo, Lou entende que seria bom ter Gabe por perto — para ajudá-lo a desmascarar associações que se formam fora de suas vistas — e lhe oferece um emprego. Mas logo o executivo arrepende-se de ajudar Gabe: sua presença o perturba. O ex-mendigo parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, e, além disso, Gabe lhe fala umas coisas muito incomuns, como se soubesse do que não deveria saber... Quando começa a entender quem é realmente Gabe, e o que ele faz em sua vida, o executivo percebe que passará pela mais dura das provações. Esta história é sobre uma pessoa que descobre quem é. Sobre uma pessoa cujo interior é revelado a todos que a estimam. E todos são revelados a ela. No momento certo.
Lou Suffern é um jovem empresário que sonhou muito e ainda sonha. Mas os seus sonhos tem mais haver com sua ambição do que seus sentimentos. Ele possui uma bela família com uma esposa dedicada, Ruth e seus dois filhos: Lucy de cinco e Ross de  um ano, mas que ele nunca tem tempo. Seu lema era de que queria sempre estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas como isto não é possível, ele vive uma correria sem fim. Mas por causa desta correria e de sua ambição, ele deixa de dar valor a quem realmente é merecedor. Ele sempre acha enfadonhas as reuniões familiares. Ele menospreza as necessidades de sua família, pois considera o fato de trabalhar muito para dá-los uma vida melhor, mais do que o suficiente, mas se esquece de estar presente, de participar e apoiar. Esquece ou não faz questão nenhuma. Em seu trabalho, vive em eterna competição para ser o melhor, se destacar, ser o primeiro ou mais importante.
Um dia, Lou que está sempre correndo, acaba prestando atenção a um sem-teto que está sentado ao lado da recepção do prédio que ele trabalha, sob o tempo castigante. Seu nome é Gabriel e de alguma forma ele desperta a atenção e simpatia de Lou. Lou lhe oferece um café e puxa conversa e é contaminado pelo bom humor daquele homem que mesmo sob uma condição precária é o retrato do otimismo. Durante a conversa, Gabe menciona alguns acontecimentos da semana anterior que intrigam Lou, e o leva a acreditar que Gabe pode ser um aliado na empresa que trabalha e acaba o contratando. Já no primeiro dia, ele se sente incomodado com a proximidade de Gabe. Ao contrário de Lou, Gabe parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo e conquistou a simpatia de todos na empresa. Lou se arrepende da decisão, pois na sua arrogância e mesquinharia se sentiu ameaçado pelo homem que se desdobrava para auxiliá-lo. Ele sempre tinha uma palavra amiga permeada com uma dose de realismo para Lou, e que acabava incomodando. No alto do seu egoísmo, ele se achava superior às demais pessoas, colocando-se acima de todos: de seus pais, irmãos, esposa e filhos e até mesmo da lei. Pra se ver livre de incômodos, ele assume responsabilidades para deixar por conta da secretária, pela simples conveniência de ter tudo pronto, sem precisar fazer nada. Ele seduz e conduz as situações conforme lhe é conveniente.
Ruth olhou para Lou, cambaleando sob o vão da porta, os olhos vermelhos, abandonando toda a cautela e agindo como um idiota na frente dos convidados. Ele nunca suportaria algo assim – e ela nunca faria algo assim -, e essa era a diferença que havia entre eles. Mas ali estava ele, cambaleando e feliz, e ali estava ela, estática e profundamente insatisfeita, imaginando por que escolhera ser a cola que unia todos aqueles pedaços. (Pág. 137).
Eu gosto muito dos livros da Cecelia, e todos que li mexeram comigo. Ao longo deste livro eu tentava entender porque era tão diferente de todos os anteriores. Cheguei a conferir na capa se realmente era ela a autora. Lou é o personagem mais idiota e antipático que se pode encarar. A forma como ele trata sua família é simplesmente nauseante. Mas até que enfim, o desenrolar da história te pega e te derruba. Te nocauteia com um imenso e sonoro soco na cara. E você chora e você pensa na sua vida e o nos faz pensar em como escolhemos levar as nossas vidas. E por isto escolhi postar esta resenha no dia de natal, para que você se sinta curioso e tentado a ler e descobrir a verdade de que...
As vezes é preciso se entregar a alguém para perceber quem você realmente é. 
Ahern, Cecelia. O presente. Novo Conceito Editora, 2013.

2 Comentários:

thaila oliveira 26 de dezembro de 2013 12:47  

acho uma linda época para contar uma história tão bonita!
Cecelia me faz refletir muito quando leio um de seus livros
sempre tem um ar de leveza a obra, mesmo tratando de temas sérios
http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

Manu Hitz 26 de dezembro de 2013 12:47  

Adorei sua resenha. Especialmente por gostar de Cecelia tb, algo que me surpreenda numa nova leitura dela é sempre muito bem vindo. Detesto personagens chatos, principalmente um protagonista antipático como parece ser o Lou. É preciso mesmo certas sacudidas da vida pra gente se situar. E se for numa leitura, a gente sai ganhando.

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