Iakireçá: As sombras nas árvores - Pedro Sol e Jean Marx

sexta-feira, 22 de novembro de 2013




Brasil. Séc. XVIII Ana Catarina. Uma bela mulher de olhos verdes é condenada à morte pela Inquisição. Quando a única luz em sua existência parece vir da fogueira, quando tudo parece destinado a terminar, quando sua própria vida parece escorrer por suas feridas, encharcando o chão do abandono... Um sonho pode mudar tudo. E transformar sua história numa saga sem precedentes. Duas organizações secretas, piratas, uma trupe de mambembes e lendárias e monstruosas criaturas se envolvem na busca pelo objeto que pode mudar toda a história conhecida. Para pior. Durante a vertiginosa jornada, Ana Catarina precisa se mostrar digna do dom que recebeu e do nome índio que não muda apenas sua forma de assinar. Precisa tornar-se... Iakireçá.










Sol, Pedro e Marx, Jean
     Iakireçá – As sombras nas árvores / Pedro Sol e Jean Marx. – Rio de Janeiro, 2011.

“A verdade inescapável, no entanto, é que, de quem fugia, não haveria lugar onde estaria a salvo. Fugia de si mesma. Fugia de quem havia se tornado. Fugia da invasão sobrenatural que tomara de assalto sua vida.” (Pág.54).

Ana Catarina é uma mestiça, filha de um paulista mameluco analfabeto e uma nobre portuguesa, descendente de italianos. Seus pais se apaixonaram e foram em busca de um quinhão de ouro em uma região remota.
Com o passar do tempo eles conseguiram juntar uma quantidade satisfatória para poderem usufruir de um determinado status de vida, apesar das constantes ameaças à tranquilidade vivida em função das oscilações políticas da época.
Aos treze anos, seguindo a tradição, Ana Catarina foi obrigada a desposar um homem mais velho, que ela não amava. Seu marido excursionava pelo interior do país, trabalhando como médico com o auxilio de Ana, que acabou se tornando enfermeira, auxiliando durante as viagens. Ele era visto como um ativista, que defendia as classes oprimidas, devido as suas tendências revolucionárias, Ana admirava estas atividades do marido e justamente quando ela estava se apaixonando por ele, veio a inquisição. Muitas vidas foram ceifadas por esta e Ana acaba indo parar nas masmorras e sofrendo um grande flagelo. Durante as torturas a que foi submetida, ela recebe a visita de um espírito ancião que lhe concede uma dádiva e ela então consegue fugir e se refugiar junto à uma tribo.
Paralelamente à história de Ana Catarina, acompanhamos dois outros enredos que são de alguma forma interligada. Presenciamos o encontro de um homem que aparentemente está ligado à um grupo secreto e ligado aos inquisidores, com um pirata mercenário de nome Peter Skull, que lhe encomenda a captura de uma peça rara que faz parte de outras duas. Uma das peças já está em poder do pirata, mas ele pretende entregar somente quando se apossar da outra peça e desta forma conseguir uma quantia vultosa pelas duas juntas. Vemos também Mariana, uma garota de uma trupe circense, que após uma fatídica fuga em que o líder perde a vida, resolve ganhar a vida “adivinhando” o futuro das pessoas, e que acaba encontrando uma destas peças. Assim como Ana Catarina e João Pereira, que fogem dos perigos e tentam sobreviver às lendas da floresta.
Bom! É claro que peguei o livro para ler sem nenhuma expectativa. O autor me abordou na Bienal do RJ, falou sobre o livro e me ofereceu se não gostaria de ler com o único compromisso de postar. Então, aqui está. O enredo do livro é muito interessante, apesar de que, devido à diagramação, achei o livro cansativo, pois a páginas brancas com as letras pequenas foi um sofrimento, mas tudo bem. Acho que quando se lê muitos livros, já possuímos uma mente bem fértil, ainda que não seja de escritor, já vamos delineando o desenrolar da história. Para mim, ao final do livro, algumas coisas faltaram ser explicadas, o que tirou um pouco do brilho do enredo muito bem elaborado. Procurei algum comentário de outros possíveis leitores da obra, mas não encontrei nenhum, e nem mesmo o contato dos escritores para comentar o fato. Portanto, fica aqui registrado de que honrei o compromisso de ler o livro o resenhar. Se alguém desejar ler, eu até encaminho o volume que tenho, e daí trocamos nossas impressões.

3 Comentários:

Carolina Rodrigues 22 de novembro de 2013 17:24  

seu blog está na coluna semanal do meu bookeando por ai
http://carolinnices.blogspot.com.br/2013/11/bookeando-por-ai_22.html

Jean Marx e Pedro Sol 9 de outubro de 2015 22:43  

Oi Márcia,

Acredite que apenas agora vi seu comentário. É verdade. Dois anos depois. É que a luta de um (na verdade, dois) escritor independente no Brasil é tanta que é inviabiliza a dedicação exclusiva. Por isso, eu e Jean adentramos em nossas correrias para ganhar o pão de cada dia. Sem abandonar o sonho das palavras, mas imersos nas demandas sócio-financeiras que são devoradoras de ócios, projetos e tudo que exija um tempo que existe ou não
Muito agradecido por ter realmente honrado seu compromisso. E feliz por enxergar minha obra pelos olhos e mente de outra pessoa. Isto proporciona, absolutamente e literalmente, outra leitura.
Quanto aos comentários mais críticos, tenho explicações simples.
No primeiro que fala sobre ser cansativo por causa da diagramação, tanto eu quanto Jean podemos nos eximir, pois esta não foi por nossa vontade ou mão. O aconselhamento nesta direção veio de quem considerou o livro longo para uma primeira aventura de escritores desconhecidos e tentou encurtá-lo (boas intenções, é claro), isso também ajudaria a tornar o custo de produção menor, e, acredite, esta é outra grande preocupação para quem empreende este tipo de projeto. Porém, devo comentar que outras pessoas que leram e nos deram retorno não chegaram a relatar este fato. De qualquer maneira, isso está sanado na segunda edição do livro, que estará disponível na Amazon.
O segundo comentário fala sobre as coisas não explicadas. E isso tem um motivo bem simples: a história continua. Há um livro dois e um livro três. Na verdade, nossa maior preocupação foi, apesar de ter um sem número de fatos para explicar e que não poderiam ser fechados neste primeiro volume, de conseguir fazê-lo apresentar um arco que se completasse. Para tentar fugir daquela impressão de que o livro acaba te forçando a comprar o outro. Escolhemos a aventura nos Tepuys e a relação com o personagem João Pereira para realizar esta tarefa ao fim desta primeira viagem.

Muita paz e luz para você
Atenciosamente, Pedro Sol

Jean Marx e Pedro Sol 9 de outubro de 2015 22:44  

É inviabiliza não existe. Desculpe-me a falta de revisão.

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