Dançando sobre cados de vidro - Ka Hancock

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Hancock, Ka
            Dançando sobre cacos de vidro / Ka Hancock; São Paulo: Arqueiro, 2013. 336p.
                     
                      “Eu estava esperando por ele na varanda e o vi dobrar a esquina, vestindo jeans e uma camiseta branca, a mochila pendendo de um dos ombros. Olhando o corpo firme e o sorriso fácil de meu marido, ninguém adivinharia os demônios que se escondem dentro dele.” (Pág.81).

Aos cinco anos de idade Lucy deixou de temer a morte. Assustada com o que tinha ouvido, ela questionou o pai que lhe deu uma explicação muito simples: A morte não é o fim e não dói. Poucos dias depois ela viu a face da morte durante a festa de aniversário de 12 anos de sua irmã e ela confirmou que sua face não era realmente assustadora, até que percebeu que ela estava ali para levar seu amado pai.
Aos dezessete anos foi a vez de sua mãe, após uma longa e sofrida luta contra o câncer. Com tantas perdas, ela e suas irmãs Priscila e Lily ficaram mais unidas.
Aos vinte e um anos, Lucy conhece aquele que se tornará no grande amor de sua vida: Mickey. Ela o amou desde o primeiro instante e nunca se arrependeu de sua escolha. Mesmo com todos os obstáculos e eram muitos. Apesar de tudo ter se iniciado naquele momento, o relacionamento dos dois demorou um pouco mais para virar uma história de amor. Apesar de ter deixado evidente seu interesse por Mickey, ele não a procurou mais. Alguns meses depois eles tornam a se encontrar, estranhamente, na lanchonete do hospital, enquanto ela acompanhava sua irmã Priscila. Logo Lucy puxou assunto, e franca e direta, perguntou por que ele nunca ligou. Admirado pela coragem, Mickey acaba admitindo que estava ali internado se recuperando de um surto psicótico originado pelo transtorno bipolar a qual era vítima. Mesmo após esta confissão Lucy não se intimida e os dois acabam assumindo um grande amor, dispostos a fazer tudo dar certo. Aos poucos ela vai se ambientando com a doença de Mickey e respeitando seu tempo e espaço. Com o passar dos anos ela sabia só de olhar, se ele estava prestes a uma crise ou se estava bem. Para fazer dar certo eles determinam um pequeno acordo, assinado por ambos, onde consta as regras que irão fazer valer para que o casamento não desmorone. O último item desta lista de regras é: nunca terão filhos. Este último item foi acrescido após Lucy quase ter morrido de câncer e lutado bravamente pela vida. Para evitar passar esta doença para mais uma geração, eles concordam que tem que ser assim. Mas é justamente esta regra é quebrada. Um milagre acontece em suas vidas e que exigirá dos dois uma grande prova de amor e superação.

Desde que li a sinopse eu fiquei ultra curiosa. Já de início percebi que sofreria uma desidratação até chegar ao fim. Em uma ciranda de emoções, não é exagero se por acaso você se apaixonar por todos os personagens. Apesar de ser a caçula, Lucy é a mais tenaz das irmãs. Priscila é a que largou a cidade aos dezessete anos para correr atrás de seus sonhos, gosta de passar uma imagem calculista, mas que é louca pelas irmãs e faz de tudo para defendê-las, mesmo que por meios tortos. Lily é a mais meiga e doce das irmãs e é com ela que Lucy é mais próxima e amiga. E o casamento de Lucy e Mickey, apesar da montanha russa de emoções é maravilhoso. O livro é narrado pelo ponto de vista de Lucy, porém a cada início de capítulo tem paragrafo do ponto de vista de Mickey como se fosse um diário, nos dando as perspectivas de seus sentimentos.
“Eu estava me apaixonando por ela, mas não parecia uma boa ideia. A chance de ter Lucy, magoá-la, assustá-la, perdê-la – tudo isto me devastava. Tentei poupá-la de uma vida comigo – algumas vezes. Mas ela nem sequer pestanejou.” (Pág.88)

 Uma história que é uma lição de amor: do amor incondicional, do amor ao próximo e do amor à vida.

11 Comentários:

Francielle Lima Silva 6 de novembro de 2013 12:35  

Meu Deus!
Como você conseguiu ler algo tão triste? Sei lá, eu acho que choraria toda hora!
A história deve ser linda, não costumo ler histórias que tem mortes porque sofro muito junto com os personagens, mas que início perfeito. A frase do pai dela parece de alguém acostumado com perdas.

Abraços!
postitandscrapbook.blogspot.com

Gladys Sena 6 de novembro de 2013 15:13  

Ah essa trama deve ser super emocionante, quero lê-la!

Bjos!

http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/

João Victor 6 de novembro de 2013 22:18  

5 estrelas. Deve ser mesmo um livro incrível.
Ainda não tive a felicidade de lê-lo, mas estou de olho no título há muito tempo, mesmo antes de ser lançado no Brasil. A sinopse é mesmo chamativa e promete uma linda história de amor - em todos os seus significados.

Fiquei mais tranquilo. Certeza de que vou gostar também.

João Victor,
Amigo do Livro
http://amigodolivro.blogspot.com.br/

Carolina Rodrigues 7 de novembro de 2013 15:18  

Visite meu novo cantinho
http://abracabook.blogspot.com.br/
bjka

Carolina Rodrigues 8 de novembro de 2013 14:55  

Seu blog está em uma coluna lá do meu blog da uma olhadinha.
http://abracabook.blogspot.com.br/2013/11/bookeando-por-ai.html

Carolina Rodrigues 8 de novembro de 2013 14:55  

Seu blog está em uma coluna lá do meu blog da uma olhadinha.
http://abracabook.blogspot.com.br/2013/11/bookeando-por-ai.html

Fabrica dos Convites 14 de novembro de 2013 15:46  

Oi Márcia, este livro tem me chamado muito atenção, ainda mais depois das resenha que tenho lido. espero poder ler em breve.
Bjs, rose.

Adriana 18 de novembro de 2013 12:22  

Caramba, é um livro extremamente emocionante! Imagino realmente que a relação de Lucy e Mickey seja como voce disse, uma montanha russa, afinal sabemos como se comportam pessoas bipolares, mas o que mais me chamou a atenção, foi saber que Lucy não se importa e aceita lidar, cuidar e conviver com esse transtorno, eu também acho que vou chorar rios quando ler esse livro e espero realmente que eu possa fazer isso em breve! Sua resenha me deixou totalmente encantanda com essa leitura, parabéns! :)

Manu Hitz 23 de novembro de 2013 11:37  

É tudo o que procuro numa leitura: personagens reais, possíveis, que podem ser qualquer um que sente ao nosso lado no ônibus, que encontramos no trabalho, na família… pela vida.
Um drama intenso e profundamente reflexivo, adoro isso! Gosto quando uma leitura exige de mim, me faz pensar, ponderar, me colocar no lugar das personagens. E que depois fique ecoando nos meus pensamentos, preenchendo meu coração com essa dor e essa redenção que o sofrimento traz, em forma de lição!
Amei, quero muito ler.

Cristiane de oliveira 2 de dezembro de 2013 08:14  

Nossa não pensei que seria uma história assim, quando vi a capa do livro, já quero muito ler de depois da sua resenha.As histórias de vida são as melhores, os cotes estão demais me deixou mais curiosa.

Ju 7 de dezembro de 2013 21:06  

Todas as resenhas que eu vi desse livro foram positivas, impressionante. Eu amo livros que me fazem sofrer uma desidratação, rs... E lições de amor, de todos os tipos, são sempre as melhores.

Beijo!

Ju
Entre Palcos e Livros

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